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Plano Safra 2019/20 será abaixo do esperado e pode ter 2 fases, admite ministra

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, admitiu na tarde desta segunda-feira (10) que o novo Plano Safra, programa que oferece linhas de financiamento com taxas de juros menores para produtores rurais e que deve ser anunciado nos próximos dias, ficou abaixo do esperado.

Além disso, admitiu que, caso a aprovação de verbas tenha atraso no Congresso Nacional, o governo federal cogita fazer lançamento em duas fases.

O atraso é resultado do adiamento da votação do pedido de crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões feito pelo governo federal ao Congresso Nacional.

A declaração da titular da pasta ocorreu em um hotel de Campinas (SP), após ela realizar uma palestra durante o 1º Fórum de Líderes do Agronegócio.

“Ele será um plano que não será o plano que a gente desejava, maior do que o plano do ano passado. Ele vai ser um plano mais ou menos do mesmo tamanho. O que a gente pode ter é algumas modificações, vamos dizer, em taxas de juros que poderão ser […] aumenta um pouquinho num programa, diminui no outro para a gente poder fazer com que ele fique do tamanho que foi ano passado”, destacou.

As contratações de crédito rural do Plano Safra 2018/19, que se encerra neste mês, atingiram R$ 158,7 bilhões no intervalo entre julho de 2018 e maio deste ano, um aumento de 6% no comparativo com igual período do ano anterior.

Impasse

Durante a entrevista, ela destacou estar confiante de que uma sessão será convocada quarta-feira (12) pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). Além disso, salientou que o pequeno produtor está “protegido” e a pasta trabalha na criação de novas ferramentas para facilitar a rotina dos médios e grandes produtores, que segundo ela têm mais facilidade para ir ao mercado e conseguir crédito.

Tem ainda oito vetos, mas a gente está acompanhando de perto, mas é fundamental que se vote isso não só para o agronegócio, mas também para outros assuntos importantes como o BPC [Benefício de Prestação Continuada], aposentadorias, que tudo isso depende dessa votação.”

Hipótese de duas fases

Tereza Cristina admitiu que, caso a aprovação tenha mais atrasos, o governo federal cogita fazer o lançamento em duas fases, com diferenças na forma dos juros, embora mantenha otimismo. “É uma das ideias […] não pode incorrer aí em Lei de Responsabilidade Fiscal, então por isso se cogita nisso, mas eu acho que isso aí é um plano B, mas que eu não trabalho com essa hipótese“.

Ela frisou aos jornalistas que o Plano Safra está pronto para o lançamento e a pasta aguarda somente uma sinalização de voto no Congresso. “É uma questão só da agenda para poder fazer o lançamento, mas ele já começa a acontecer“, ressaltou a ministra. Ela preferiu não comentar sobre prejuízos, mas indicou que a espera pela aprovação provoca reflexos no planejamento do setor.

“Tem pessoas que se programaram, já compraram os produtos e estão esperando as condições do plano para poder ir ao banco e tomar esse financiamento para fazer esses pagamentos”, destacou.

O crédito suplementar é necessário para que o governo não descumpra a chamada “regra de ouro“, que o impede de fazer dívidas para pagar despesas correntes, como salários, benefícios de aposentadoria, contas de luz e outros custeios da máquina pública. Quando ela não é seguida, os gestores e o presidente da República podem ser enquadrados em crime de responsabilidade.

Plano Safra 2019/20
Ministra Tereza Cristina – Abertura do One Agro

Médios e grandes produtores serão contemplados

De acordo com a ministra, o plano previsto para 2019/2020 irá oferecer novas ferramentas de acesso ao crédito para médios e grandes produtores. “Pequenos agricultores estarão absolutamente protegidos”, afirmou.

Tereza Cristina voltou a defender um modelo permanente para que o agricultor tenha previsibilidade na hora de tomar financiamento para custeio e investimento, tendo em vista que a preparação do cultivo começa com, pelo menos, seis meses de antecedência.

Na abertura do One Agro, a ministra ressaltou o aumento da produtividade agrícola brasileira aliada com a sustentabilidade. Segundo Tereza Cristina, nos últimos anos, a produção nacional cresceu 386%, com aumento de apenas 33% da área cultivada. A ministra pediu a colaboração de todos na luta contra a desinformação sobre o agronegócio, principalmente nas redes sociais.

“Não entendo por que denegrir a imagem de um setor que produz, que dá emprego e que cada vez usa mais tecnologia e tem mais preocupação com a sustentabilidade”, disse.

Ouça a matéria da Rádio MAPA

Por: AGRONEWS BRASIL, com informações do G1 Campinas e MAPA.

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