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Leite: Brasil pode se tornar uma potência mundial em produtividade

Segundo o novo Índice Ideagri do Leite Brasileiro (IILB), o país poderia produzir todo o leite que consome com apenas 25% das vacas leiteiras que possui, apenas utilizando uma gestão profissional eficiente nas propriedades rurais.

Se o rebanho leiteiro brasileiro tivesse o mesmo desempenho médio que as vacas das fazendas mais produtivas do país, o Brasil poderia alcançar os 34 bilhões de litros de leite por ano que produz hoje com apenas 25% do rebanho atual. De acordo com o Índice Ideagri do Leite Brasileiro (IILB), divulgado no mês passado (14/03), as vacas de cerca de 600 fazendas entre as mais tecnificadas do Brasil produziram, em 2018, em média, 22,6 litros de leite por dia contra 6,5 litros por dia de todo o rebanho brasileiro (dado IBGE). As fazendas analisadas pelo IILB possuem 170.000 matrizes, cerca de 0,56% do rebanho nacional. A produtividade anual por matriz dos rebanhos qualificados para o IILB é cerca de 4,5 vezes maior do que a média nacional.

Como os índices de produtividade oficiais misturam todas as fazendas, mesmos aquelas sem gestão de qualidade, as médias brasileiras aparecem muito baixas e isso afeta muito a imagem desse setor, que vem melhorando consideravelmente nos últimos anos”, afirma Clóvis Corrêa, médico veterinário e especialista do setor que é conselheiro do IILB. Segundo ele, 78% de todo o leite brasileiro já é produzido por cerca de 23% das fazendas (dados Embrapa). “Esse é o universo que deve ser tomado como referência e os indicadores do IILB, que são inéditos, práticos e de uso imediato, indicam o caminho do crescimento e da lucratividade do setor”, afirma Corrêa.

O Brasil é o quinto produtor de leite e pode rapidamente se transformar em uma potência mundial no setor com a profissionalização da gestão das fazendas leiteiras”, diz Corrêa, que lembra que hoje o Brasil ainda importa entre 3% e 4% do leite que consome. “As melhores fazendas nacionais têm desempenho parecido com as médias norte-americanas e são elas que devem servir de comparação, pois mostram o real potencial de desenvolvimento do leite brasileiro”.

12 indicadores-chave

O IILB é composto por 12 indicadores-chave das áreas de Reprodução, Produção e Recria de cerca de 600 das fazendas de leite entre as mais eficientes do país, com produção diária acumulada de 2,5 milhões de litros/dia, ou 830 milhões de litros de leite no ano de 2018 (ou aproximadamente 2,5% da produção brasileira). O IILB, assim, nasce como uma medida inédita no mercado. “É um benchmarking excepcional para quem trabalha no setor do leite porque permite, pela primeira vez, que um produtor possa fazer uma comparação direta com as melhores fazendas brasileiras”, diz Heloise Duarte, médica veterinária e diretora-geral do IILB.

Um dos indicadores do IILB, por exemplo, é a taxa de prenhez das vacas, uma importante medida de eficiência da reprodução e que acaba impactando diretamente a capacidade de produção leiteira da fazenda. Nesse indicador (e em outros), a média das fazendas analisadas pelo IILB está bastante próxima da média norte-americana. “Entre as 10% melhores e a média das fazendas analisadas pelo IILB, a diferença nesse indicador é de 31%, ou seja, mesmo entre as fazendas mais bem administradas ainda existe espaço para crescer”, diz Corrêa. “Agora imagine o que poderia ser feito nas demais”, diz ele, que completa: “Correções para maior produtividade podem ser coisas simples de implantar, como melhor capacitação de mão de obra”.

Olhando-se os indicadores-chave do IILB, e comparando sempre a média das 600 fazendas com as Top 10% desse universo, observa-se, por exemplo, que nas melhores fazendas a morte de bezerras até um ano é quase a metade da média geral e que as vacas têm o primeiro parto mais cedo (aos 26,6 meses, contra 31,2 meses). “São números que resultam em mais ou menos lucro”, diz Heloise Duarte. “Com o IILB, os produtores podem identificar rapidamente os fatores que devem ser atacados com prioridade, visando produtividade e retorno para seus investimentos”, sugere ela.

Fazendas podem identificar sua posição de produtividade

O IILB é uma iniciativa das empresas Ideagri e Rehagro, de Belo Horizonte. Os dados do IILB derivam do banco de dados da Ideagri, produtora de um software de gestão para gado de leite e corte usado em cerca de 5.000 fazendas no Brasil. Uma seleção rigorosa da qualidade de informação foi aplicada, resultando nas 600 fazendas analisadas. “Nossa expectativa é que com o uso do IILB por parte dos clientes Ideagri, a qualidade de informações imputadas no sistema cresça e o número de fazendas qualificadas aumente”, informa Heloise Duarte. “Com isso, nas próximas edições o IILB será ainda mais representativo do que nessa primeira análise”

Já o Rehagro, que é uma instituição de consultoria e ensino voltada para o agronegócio, determinou os 12 indicadores-chave e criou uma metodologia ponderada para combiná-los na elaboração de um índice de 0 a 10 pontos que indica a mais produtiva das fazendas analisadas no IILB. Com ele, as fazendas poderão identificar sua posição entre as mais produtivas do setor. “A média no IILB foi de 3,97 pontos”, informa Clóvis Corrêa. “A fazenda mais produtiva entre as 600 analisadas atingiu 8,88 pontos, o que mostra que, mesmo entre as melhores, ainda existe muito para ser feito dentro da porteira para conquistar mais eficiência, mais produção e, assim, maior lucratividade”, diz ele.

Cliente Ideagri tem benchmarking automático

Os dados do IILB, por indicador-chave, podem ser acessados no site www.iilb.com.br. O número de informações abertas para o público em geral é generoso, mas o cliente da Ideagri poderá, por meio de seu cadastro, acessar os dados do IILB e fazer comparações diretas e instantâneas com seus próprios indicadores. Os dados das fazendas são preservados, só podendo ser acessados pelos proprietários dos cadastros.

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https://agronewsbrasil.com.br/conheca-as-vacas-vitalicias-que-produzem-100-mil-litros-de-leite/

Por: Assessoria Ideagri

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Um Comentário

  1. Excelente matéria. O problema é que a consultoria e a assistência técnica não está ao alcance de todos, aliado a falta de uma política pública para subsidiar as atividades do produtor de leite.

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