Mercado Financeiro

Brasil deve aumentar a promoção e vender mais café na Ásia

Segundo executivo, região é vista como a de maior potencial de crescimento de consumo da bebida em escala global

O Brasil deveria aumentar a promoção do seu café na China. Cooperativas e outras entidades do setor poderiam liderar esse movimento e considerar até mesmo a possibilidade de montar uma rede brasileira de cafeterias no país, a exemplo do que fizeram empresas de outros países, como a americana Starbucks. Foi o que afirmou, nesta quarta-feira (29/5), o presidente da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-China (CICBC), Charles Tang.

“A relação entre Brasil e China vai crescer cada vez mais e se tornar cada vez mais importante para os dois países. O mercado precisa conhecer o produto de vocês. Devem visitar consumidores. Tem muitas cafeterias que não são famosas na China. Seria um grande feito e beneficiaria produtores e exportadores do Brasil”, disse Tang durante o 8º Coffee Dinner & Summit, promovido pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), em São Paulo (SP).

O executivo avaliou que o Brasil pode ganhar espaço no mercado chinês tanto com café verde quanto com o industrializado. Pontuou que a maior dificuldade será atingir as populações do interior do país. De outro lado, lembrou que a classe média chinesa tende a continuar crescendo e está cada vez mais tomando café, nas cafeterias ou em outras modalidades, com as cápsulas monodose.

“A classe média será o suficiente para impulsionar o consumo de café. O Brasil tem que vender mais e se esforçar para vender mais. Por que só a Colômbia tem fama de ter um melhor café quando a melhor qualidade e a maior quantidade estão no Brasil?”, questionou Tang.

Entre executivos de empresas e especialistas, a Ásia é vista como a região de maior potencial de crescimento no consumo de café no mundo, amparada em países de grande população, como a própria China e a Índia. Dados da consultoria INTL FCStone, apresentados durante o evento, apontam uma expansão média de 4,5% ao ano na região – juntamente com a Oceania – só nos últimos cinco anos.

“O potencial de crescimento existe só pelo tamanho da população. Já é extraordinário. Mas a cultura do café ainda não é dominante. O poder aquisitivo tem crescido e a população urbana tem aumentado rapidamente e isso pode mudar as coisas e gerar mais consumo”, pontuou o executivo da Olam Coffee, Raja Saoud.

Segundo ele, em função do maior poder aquisitivo, a tendência entre consumidores asiáticos é buscar um produto de melhor qualidade. Assim, em um horizonte de dez anos, o consumo de café na China pode saltar de 3 milhões para seis milhões de sacas de 60 quilos. Na Índia, o volume pode passar de 1,5 milhão para 2,5 milhões no período. Na Indonésia, o salto pode ser de 4,5 milhões para 7 milhões.

Questionado sobre a tendência para os países árabes, Saoud avaliou que uma mudança no perfil de consumo, de cafés mais tradicionais para os especiais, de maior qualidade e valor, pode ocorrer. O executivo lembrou, no entanto, que, nesses locais, o hábito de tomar café ainda é concentrado em casa e uma mudança na qualidade da bebida consumida deve ocorrer de forma mais lenta.

Mudanças de hábitos

Mas a movimentação dos consumidores não ocorre somente nos mercados mais novos. Um processo de mudança de hábitos também tem sido percebido em regiões mais tradicionais. Nos Estados Unidos, por exemplo, a tendência tem sido de beber um volume menor, mas procurar produtos de melhor qualidade, afirmou o analista de mercado da Euromonitor no território americano, Matthew Barry.

Segundo ele, a expansão demográfica nos Estados Unidos tem sido menor. As taxas de fertilidade estão caindo e a imigração também, especialmente depois da ascensão de Donald Trump ao poder. Um crescimento menor da população tende a reduzir a base de consumidores de café no país.

Por outro lado, disse ele, as pessoas estão ganhando dinheiro e procuram mais qualidade e variedade e, portanto, agregam valor, afirmou Barry. Nesse cenário, enquanto o segmento de cápsulas cresce menos que em anos anteriores, nichos como o de bebidas frias à base de café ganham espaço.

Já na Europa Ocidental, o consumidor tem se afastado das formas mais tradicionais de consumo, explicou Alexandre Loeur, também da Euromonitor. As cápsulas também seguem crescendo em ritmo menor que em anos anteriores. E segmentos premium estão ganhando mercado.

“Está mudando na Europa inteira. Os grãos são o motor do crescimento e cabem bem no comportamento dos clientes. Eles querem fazer em casa, ter um sabor original. Os países nórdicos não veem as cápsulas como algo sustentável. O Reino Unido está deixando de consumir o instantâneo enquanto a Turquia está consumindo mais”, analisou.

Por Globo Rural

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