Opinião

A quem interessa a crise do leite?

É preciso identificar os verdadeiros responsáveis pela crise do leite pois, do contrário não vale a pena insistir.

Mapa do Leite no Brasil Resumido

O Brasil produz 35 bilhões de litros de leite por ano e a capacidade de nossa industria é de apenas 24 bilhões.

Então o que é feito com os 10 bilhões que a industria não pode processar?

Estes 10 bilhões são produzidos por 1 milhão de pequenos produtores para consumo próprio, produção de doces, queijos etc. São os produtores informais mas que não entram diretamente no negocio do leite inspecionado.

Os outros 250 mil produtores produzem 70% da produção total nacional ou seja cerca de 25 bilhões de litros.

Sendo que, apenas 82 mil produtores produzem cerca de 77% do leite inspecionado.

Crescimento do mercado e da produção – o efeito sanfona

O mercado do leite no Brasil cresceu nos últimos anos a uma media de 5,5% ao ano enquanto o leite processado cresceu a uma média de 4,4% ao ano e certamente não é porque o produtor não quis.

Para mim é claramente limitações de processamento da industria de laticínios. E o pior, a maioria deles com capacidade de processamento em leite UHT ou em pó bastante limitadas quando não inexistentes.

Para muito deles o negócio é vender o leite captado no mercado spot, principalmente para industrias multinacionais com interesses em mercados do leite noutros países também e são elas que definem os preços e a hora de importar e importam. Mais de 1 bilhão de litros, usados para baixar os preços pagos ao produtor e talvez para suprir o leite em pó que não conseguem processar.

A Nova Zelândia, um pequeno pais que faz 14 bilhões de dólares anuais em divisas no mercado mundial e é do tamanho de Tocantins e produz a mesma quantidade de leite fiscalizada que é produzida no Brasil, ou seja 23 bilhões de litros. Como eu disse os outros 10 a 12 bilhões produzidos no Brasil, são de propriedades que produzem 10 a 20 litros para auto consumo.

Com uma diferença, no Brasil a média de produção por vaca é de apenas 1.500 litros e na Nova Zelândia, 4.100.

crise do leite

O gigante adormecido e a Política Colonial

Basta uma estruturação do setor, incentivos, capacitação tecnológica e de investimentos ao produtor que eles irão facilmente dobrar a média de produção por vaca, alcançando assim 50 bilhões de litros/ano transformando o Brasil no segundo produtor mundial. Mais da metade da produção americana.

Mas não basta produzir mais, aliás é loucura se a industria também não dobrar sua capacidade de processamento.

Mas interesses obscuros continuam promovendo a importação de leite em pó, quando deveríamos estar exportando.

Nosso negócio do leite sofre do mesmo efeito sanfona que acometia e ainda acomete a pecuária de corte de muitos produtores. O boi engorda nas águas e emagrece ou ganha pouco peso na na seca.

Esta politica colonial se estabeleceu no leite, por industrias gigantes do leite e a falta de visão de governos anteriores num negócio que cresceu mais que qualquer outro na agroindústria . Enquanto o PIB Brasil decaia o leite continuava crescendo 5,5% ao ano.

E nosso produtor tecnológico responde rápido e tem a capacidade ilimitada de produzir mais pois o que não falta neste país é vaca. Mas assim que ele se entusiasma e aumenta a produção na seca, logo tem que pisar no freio pois nas primeiras chuvas os preços caem sem tréguas e o leite importado entra sem maiores explicações.

Basta proibir importações?

Ajuda mas não resolve tudo, mas é necessário cotas. Não podemos permitir que Uruguai exporte a vontade só porque o regime do ex-presidente comunista e amigo de Lula recebeu este prêmio as custas do produtor nacional.

Outro problema é que, produtores não tecnológicos, que dispondo de muita terra e que produzem quase nada na seca, quando chegam as águas, com ausência de cotas, despejam no mercado todo leite que conseguem produzir, jogando o preço para baixo por excesso de oferta e ausência de cotas.

A quem interessa a crise do leite? 1
Rogério Rufino – Faz. Veredas

Uma politica de cotas e de estabilidade mínima nos preços do leite é necessária, isto é facilmente calculado usando a referência histórica de preços. Define-se uma média que é paga no ano todo sem as flutuações que levam a euforia e ao desespero.

Agora, a quem interessa continuarmos limitados ao mercado interno e pior, importando? Só se for a Nova Zelândia e outros países exportadores.

Por: Rogério Rufino – Fazenda Veredas

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5 Comentários

  1. Impressionante !!!

    Reflete o afunilamento do mercado brasileiro de leite em empresas que da para contar nos dedos de uma mão!

    Essas não estão nem aí para o mercado consumidor interno e simplesmente falam o valor do Spot a cada 15 dias.

    Leite spot hoje é o que dita o mercado nacional, o que antes era uma sobra de leite vendidas entre laticínios hoje é o que se vende entre os laticínios.

    Estamos perdidos ou acomodados?

    Movimento Inconfidência leiteira.

  2. o Brasil é vítima de só próprio criou um sistema produtivo de favorece a produção primária e agora quando estas regras econômicas começam a sufocar continuasse a discussão para incrementar essas regras, círculo vicioso eterno.
    Até o nome não é novidade política de quotas.
    Brasil rumo a produção primária a 100% do PIB

  3. Awilson isso e resultado de anos de abandono. Não temos estrutura alguma como no Canadá que planeje a producao, estabelecendo variações nos preços de leite mínimas e faz com que o produtor de leite ali tenha o melhor nível de vida entre todos.
    Aqui estamos a mercê dos grandes laticínios que dominam uma séria de pequenos e incompetentes laticinios derminando o preço de leite através do spot. No Canadá o órgão gestor e composto por produtores, laticínios , governo e ele que estabelece o preço

  4. Gilson exatom sem uma política de cotas, que levará os produtores exclusivamente a pasto a revolta, nos convivermos eternamente com a instabilidade na produção e nos preços. Basta ar o primeiro trovão que os preços caem pois na chuva os produtores a pasto inundam o mercado

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