Opinião

A polêmica do Feijão Mexicano, Brasil libera importação do grão

Pode preparar a pimenta para experimentar o típico “Chilli” Mexicano, pois o Brasil liberou a importação de feijão do México e isso apimentou a relação com o setor produtivo nacional, entenda.

No início do mês(11), os produtores brasileiros de feijão foram surpreendidos pelo anúncio do governo federal, sobre o acordo fechado com o México, que abriu o mercado para importação de arroz brasileiro em troca da liberação das exportações de feijão para o Brasil.

Em nota oficial divulgada logo em seguida ao anúncio(15), o presidente do Instituto Brasileiro de Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (Ibrafe), Marcelo Lüders, afirmou que esta negociação aberta pelo Ministério da Agricultura “causou grande desconforto ao setor”. O Ibrafe concentra os diversos segmentos ligados à pesquisa, produção, processamento e comercialização da leguminosa.

Em entrevista ao portal AGRONEWS BRASIL, Lüders esclarece que no passado, entre 2015 e 2016, houve a necessidade de importação e naquela oportunidade o México se candidatou a ser um dos exportadores, mas não tinha sido aprovada ainda a análise de riscos e pragas no Brasil. Desde então, eles começaram todo o processo para que esta alternativa fosse aberta a eles. “O Brasil hoje é importador da Argentina, da China e dos EUA – quando há necessidade, mas especificamente neste ano de 2019, não há necessidade“, afirma Marcelo Lüders.

Segundo ele, esta decisão causou estranheza, pelo fato de não ter sido consultada a Câmara Setorial, o Conselho e o Instituto Brasileiro do Feijão. Lüders ainda lembra que se deve levar em consideração, que estas tratativas foram tomadas na Administração anterior.

Então, o que nós esperamos é que se tenha a possibilidade, muito em breve, do pedido de reciprocidade para os nossos produtos, da nossa cadeia produtiva, também serem exportados para lá. O México é grande importador, no ano passado, por exemplo, eles importaram mais de 160 mil toneladas de feijão, sendo 87% provenientes dos EUA“.

Feijão mexicano
Marcelo Lüders – Pres. do IBRAFE

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O IBRAFE – Instituto Brasileiro de Feijão, Pulses e Colheitas Especiais – vem a público esclarecer alguns itens em relação à notícia veiculada a respeito de importação de Feijões do México.

Causou grande desconforto ao setor o anúncio da decisão do Ministério da Agricultura, que afirmou ter barganhado a exportação de arroz para o México utilizando como moeda de troca a importação de Feijões.

O IBRAFE, o CBFP – Conselho Brasileiro de Feijões e Pulses – e a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Feijão do Ministério da Agricultura tomaram conhecimento desta decisão pela imprensa e, obviamente, não foram consultados. Sendo assim, temos a esclarecer o seguinte:

O Brasil não necessita de importação de quaisquer Feijões durante esse ano de 2019, uma vez que temos um superávit de produção. Na hipótese remota de haver alguma necessidade de importação, o parceiro preferencial do Brasil é a Argentina, por uma questão de custos logísticos e também por ambos os países fazerem parte do MERCOSUL, não estando sujeitos ao imposto de importação como é o caso do México. Ademais, o México apenas teria para ofertar o Feijão-preto para o Brasil. Por fim, o México é importador de Feijões dos Estados Unidos da América por estar atrelado à ALCA.

Acreditamos que estas negociações com o México podem ter sido iniciadas no governo anterior e, portanto, não estão alinhadas à forma desta gestão do MAPA, conduzir tais assuntos.

Somos solidários ao desafio e as necessidade setor arrozeiro. No entanto, esperamos que seja imediatamente negociada uma cláusula de reciprocidade, , para que se abrimos a eles as importações de Feijões o México permita também a importação de Feijões brasileiros.

Sempre priorizando os interesses da cadeia produtiva de Feijões e Pulses do Brasil, colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos complementares.

Você pode baixar a versão oficial da Nota devidamente assinada, clicando aqui.

Deixe seu comentário sobre este assunto, você concorda com a importação?

Por: Vicente Delgado – AGRONEWS BRASIL

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